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Tag Archives: Congressos

Identidades em Performance: Vozes de uma cinematografia queer da produtora CineGround nos Anos de 1970 em Portugal

Mariana Santos Martins Gonçalves (ISCTE-IUL)

 

V Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia (APA), Antropologia em Contraponto9 a 11 de Setembro de 2013

Campus da Universidade de Trás os Montes e Alto Douro, Vila Real

Comunicação apresentada no Painel 10: Experiências coloniais e seus legados: entre corpos, poderes e subjetividades.

Coordenação de Cristina Sá Valentim, Esther Moya e Fabrício Rocha

 

“A presente comunicação insere-se no projecto de investigação ‘Identidades em Performance: Memória de uma cinematografia queer da produtora CineGround nos Anos de 1970 em Portugal’, do Curso de Mestrado em Antropologia,  na especialidade de Globalização, Migrações e Multiculturalismo, do Instituto Universitário de Lisboa ISCTE – IUL, sob orientação do Professor Doutor Paulo Raposo (ISCTE-IUL). Pretende-se aqui compreender a construção social das identidades de género no seu carácter performativo, através do estudo/reconstrução do contexto espacio-temporal que esteve na origem da criação da produtora de cinema ‘Cineground’, fundada logo após a Revolução de 25 de Abril de 1974,  pelo artista plástico Óscar Alves e pelo produtor João Paulo Ferreira.

Fundada em 1975, a Cineground foi um grupo que se caracterizou por fazer uma primeira tentativa de comercialização de filmes em Super8, em pequenas salas de diversão em Portugal (boîtes e clubes nocturnos). Esses seriam na época os locais de eleição para a divulgação de uma cinematografia de carácter underground  (na origem do nome da produtora) e também queer.

Com escassos recursos de produção e uma equipa técnica reduzida, a Cineground logrou a criação de uma dezena de títulos (conhecidos): Fatucha Super Star (1976), Os demónios da Liberdade (1976), Goodbye Chicago (1978), O Charme Indiscreto de Epifânia Sacadura (1976), Solidão Povoada (1976), As aventuras e desventuras de Julieta Pipi (1976), (Trauma (1976), Tempo Vazio (1977) e Ruínas (1978) (os últimos 3 títulos, da autoria de João Paulo Ferreira não existem em arquivo, crê-se que terão sido ‘oferecidos’ pelo autor à Cinemateca Russa. (Fonte: Queer Lisboa). Nos filmes encontramos representações de sexualidades, classificadas na década de 60/70 como ainda desviantes, e uma apropriação do ‘jargão’ e estereótipos negativos que lhes seriam atribuídos. A sátira aos falsos moralismos e a linguagem subliminar remetem-nos para a repressão ditatorial, os seus resquícios no imaginário dos portugueses e como a experiência do normativo terá agudizado a tendência do desviante, a resistência, e finalmente, liberdade conquistada na materialização destes registos.

A diferença e a identidade, centrais no estudo antropológico, são termos que pela sua qualidade classificatória obrigam a um emprego cuidadoso. O seu dualismo está tão presente nas contingências históricas como no mais banal dos quotidianos. Invocar a diferença foi em tempos a única forma de reclamar a igualdade, vejam-se os exemplos dos movimentos feminista e da ‘negritude’. As identidades são um processo de construção e reprodução ao longo do tempo, existem por oposição ou relação directa com outros grupos, são sempre relativas a algo (etnia, nação, religião), estando portanto dependentes da alteridade, da diferença (Augé e Colleyn 2004: 16). A ideia de identidade como algo livre, flutuante, não ligada a uma ‘essência’, mas sim a uma performance, concebe o corpo como um projecto em que se inscrevem práticas culturais, sociais e artísticas (Vale de Almeida 1996). O caso do cinema queer da Cineground propicia uma reflexão sobre a construção social das identidades e sexualidades através de uma vivência de margem, em que a experiência corpórea de tornar-se o outro ilustra os mecanismos de construção da diferença. Recorri ao cinema como ‘ferramenta da Antropologia’, enquanto ciência que trabalha sobre a vida social e humana,  convicta de que a Cineground, constitui um registo material inédito da expressão queer da  década de 1970 em Portugal, que poderá ser revelador de conhecimento sobre identidades, que tal como o ‘seu’ cinema, ‘se viveram à margem’. Sugerindo que à democratização da sociedade estaria inerente a democratização das sexualidades, aqui temos um exemplo de como a arte se torna política. ”

 

Continuar a ler: PDF – Mariana Santos

 

 

Estudos Culturais – Colonialismos, Pós-colonialismos e Lusofonias

Divulgamos o CFP até 15 de outubro.
“IV Congresso Internacional em Estudos Culturais – Colonialismos, Pós-colonialismos e Lusofonias”, Universidade de Aveiro e Universidade do Minho, de 28 a 30 de Abril, no Museu de Aveiro.

Mais informações: http://www.estudosculturais.com/congressos/ocs-2.3.5/index.php/ivcongresso/cpcl/schedConf/cfp

Antropologia em Contraponto, 9-11 Setembro, Vila Real

Divulgamos o V Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia (APA) a realizar-se em Vila Real, na UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro), durante os dias de 9, 10 e 11 de Setembro de 2013.

O calendário das sessões encontra-se aqui: http://www.nomadit.co.uk/apa/apa2013/timetable.php5

Chamamos a atenção para o painel 10 organizado por membros do gaiepc: Cristina Sá Valentim, Esther Moya e Fabrício Rocha: http://www.nomadit.co.uk/apa/apa2013/panels.php5?PanelID=2352

Participem!

Horizontes de Compromisso, 5-8 junho

Realizou-se nos dias 5, 6, 7 e 8 de junho o Congresso de Filosofia Jovem Horizontes de Compromisso em Granada, no Cortijo de la Matanza, em La Zubia.

Ficam aqui apenas algumas fotografias do encontro e da Mesa “Descolonizar os Desejos?” organizada por colaboradores do GAIEPC: Esther Moya, Cristina Sá Valentim, Maurício Hashizume e Vico Melo.

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Mesa ‘Descolonizar os Desejos?’, 50º Congresso de Filosofia Jovem, Granada

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De 5 a 8 de junho, em Granada, a mesa ‘Descolonizar os Desejos?’ organizada por membros do gaiepc: Esther Moya, Cristina Sá Valentim, Maurício Hashizume e Vico Melo. Estão todos/as convidados/as a participar!

http://horizontesdecompromiso.wordpress.com/pensar/deseo/comunicaciones-3/

Comunicações Congresso de Filosofia Jovem, Granada.

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Informamos que já se encontram disponíveis on line os textos das comunicações que vão ser debatidas na mesa DESEO – ‘Descolonizar os desejos?’ – do 50º Congresso de Filosofia Jovem, Granada, 5-8 junho. http://horizontesdecompromiso.wordpress.com/pensar/deseo/comunicaciones-3/

After the Empires – Reflections of European Colonialism in a Globalized World

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Divulgamos a Conferência Internacional After the Empires – Reflections of European Colonialism in a Globalized World a realizar-se na Universidade de Roskilde, Dinamarca, de 29 a 31 de Maio de 2013.

De momento, mais informações podem ser consultadas aqui:

http://migrationandculture.ku.dk/call/aftertheempires/

O Programa:

Session 1

Session 2

Colonialism, Representation and the Literary Imaginary

Race, Whiteness and European Identities

 

 European Revenants, Chinese Remains Lynda Ng, Oxford University

Omino bianco. Images of Blackness and Whiteness in contemporary (postcolonial) Italy (2010-2012)­ Gaia Giuliani, Bologna University

Postcolonial Central Europe. Domination and subordination. The example of Poland Monika Popow, University of Gdansk The functionality of racist constructions Andrea Wierich, Berlin

 

Writing back or Littérature monde?  Responses from a few Francophone writers to “la condition postcoloniale”­ Heidi Bojsen, Roskilde University

What does a ‘native point of view’ mean in a Danish colonial context?Linda Lund Pedersen, LSE, London

El “niño grande” africano en el imaginario de la cooperación: Fuentes coloniales y usos contemporáneos Inés Plasencia Camps, Universidad Autónoma de Madrid

The Jewel in the National Crown? The English NHS as an affective association, institutional fantasies and postcolonial hauntings in neoliberal times Shona Hunter, Leeds University

Session 3

Session 4

Nation, Exhibitions, Museums and Representation

Metodologías decoloniales

Coloniality of knowledge and Torture in Latin America: Some Notes about Torture Museums in Germany Beatriz Junqueira Lage Carbone, Goethe University, Frankfurt

 Experiencias de Video Comunitario en América Latina: hacia un giro decolonialIván Lara, Universidad de Granada

 

Exhibitions in the Postcolonial Age: Seville ’92 and Lisbon ’98 Andreia Sarabando, Minho University, Braga

 

 

La Carta de Principios Éticos de Investigación Decolonial Julia Suárez-Krabbe, Roskilde University

Immeuble par destination? Belgian law and the transparency of public space in the Royal Museum for Central Africa, TervurenKimberly Larkin, Université Libre de Bruxelles and Royal Museum for Central Africa

Experiencia de Investigación Acción Participativa Feminista (IAPF) como metodología útil para procesos de descolonización de conocimientos y cuerpos Helga Flamtermesky, Autonomous University Barcelona

 

Session 5

Session 6

Fanon and his Aftermath

Language, Power and the Postcolonial

L’imaginaire colonial et post-colonial dans le paradigme théorique Djamel Benkrid, Université Paris VIII

 

Why is France so ill at ease with postcolonial theories? – Nicolas Di Méo, Université Michel de Montaigne Bordeaux 3

 

Phélix Mora and the Metaphors of Empire Taoufiq Sakhkhane, Fes-Sais University  Who speaks the Lusophone Community? – Elena Brugioni, Minho University, Braga
‘Translation as a place of loss’ – A study of the translations of Fanon’s Peau noire, masques blancs and their role in Anglophone postcolonial studies Sarah Blaney, University of Warwick

 

Dialogo entre Fanon y M. Merleau-Ponty, hacia la decolonizaciòn linguistica de los sujetos coloniales – Ugo Castellani 

Session 7

Session 8

Space, Place and Mediations

Coloniality of Power, the Local and the Global

Media Discourses and Postcolonial Realities in the Sahel Alice Brown, Université Paris VII Diderot

 

La reproducción de las prácticas imperialistas y el pueblo Mapuche – Milton Amonacid, Roskilde University

 

University, European cultures of land ownership and their postcolonial heritage in New Zealand. Exploring the material consequence of social divisons of space Andreas Aagaard Christensen, Copenhagen University, Stig Roar Svenningsen, Roskilde University

 

 

Gender, development and the coloniality of power: targeting “third world men” in development discourse Nanna Kirstine Leets Hansen, Roskilde University

Entre a Teoria e a História das Relações Internacionais: a invisibilidade do colonialismo e as críticas teóricas Vico Dênis Sousa de Melo, Center of Social Studies, Coimbra University

Facing colonialities. “Lessons” from the experience of the Bolivian Katarista movement – Mauricio Hashizume, Center of Social Studies, Coimbra University

 

Session 9

Session 10

Embodied Colonialism, Race and the Public Sphere

The Home-Grown Other: Domestic European Colonisation

Staging the Afterlife of Empire: British National  Identity in the Age of Global Terror Sunera Thobani, University of British Columbia

 

 

Postcolonial Scotland Jessica Homberg-Schramm, Cologne University

The Islamic veil as an ethnic marker: stigmatization of the veil wearing women in postcolonial France Nuria Álvarez Agüí, Universidad Complutense de Madrid

Amnesia, conflicts and locations in Danish – Greenlandic colonial relationsAstrid Andersen, Copenhagen

 

Queer Spaces in Lan Yu and East Palace, West Palace Zoran Pecic, Roskilde University

Towards a postcolonial history of Italian Mezzogiorno Carmine Conelli, University “L’Orientale” Naples

Session 11

Session 12

Performance, the Visual and the Decolonial

Literature, Popular culture and Anticolonial Aesthetics

 Descolonizando prácticas artísticas feministasLucia de Las Casas Flórez, Madrid Colonial ghosts, specters and skeletons: revisiting Conceição Lima’s poems Inês Nascimento Rodrigues, Center of Social Studies, Coimbra University

 

 El valor del arte originario Alex Opazo, Skolen for Moderne Dans

 

Folklores of Lunda. Popular Culture, Domination and Resistance in Colonial Lunda, Angola (1950-1960) Cristina Sá Valentim, CRIA/Center of Social Studies, Coimbra University

Session 13

Session 14

Postcolonialism, Anticolonialism and the Literary Imaginary

Coloniality in Europe

 

Writing back, to Africa: Marie Ndiaye and the FrenchMads Anders Baggesgaard, Aarhus University

Utopía de la praxis, democracia, Justicia y Dignidad: (Des)colonizando los derechos desde Nuestra Andalucía Javier Garcia, Grupo de Estudios Descoloniales del Sindicato Andaluz de Trabajadores

Memories and representations of the colonial experience in Italian literature Silvia Caserta, University of Macerata

 

‘El moro’ – Discovering the coloniality of the contemporary Spanish/Catalan State and its colonial subjects Martin Lundsteen, Barcelona University

Le postcolonial à travers deux écrivains contemporains : Tassadit Imache et Mounsi, tentative d’absorption d’une contre-culture? Florence Lhote

Estrategias de colonialidad y experiencias decoloniales en la península ibérica Curro Moreno

Experiências Coloniais e seus legados: entre corpos, poderes e subjetividades

O V Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia terá lugar entre 9 e 11 de Setembro de 2013 no Campus da UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro) em Vila Real.  O Congresso é organizado pela Associação Portuguesa de Antropologia (APA) e a chamada para comunicações decorrerá de 1 de Fevereiro a 22 de Abril de 2013. 

Link do Congresso: http://www.apantropologia.org/congresso2013/

Nomeadamente, chamamos a vossa atenção para o painel “Experiências Coloniais e seus legados: entre corpos, poderes e subjetividades” coordenado por Cristina Sá Valentim, Esther Fernández Moya e Fabrício Rocha (doutorandos em Pós-Colonialismos e Cidadania Global no CES-Coimbra) e colaboradores no GAIEPC.

Resumo

A expansão marítima europeia e os colonialismos subsequentes instituíram a naturalização da diferença como desigualdade e inferioridade para legitimar formas de dominação/exploração sobre outras pessoas e outros conhecimentos. As categorizações epistémicas/raciais/sexistas da modernidade ocidental elaboradas de forma a denominar para dominar, tiveram no corpo o lugar privilegiado do exercício do poder.

Perante a visão mecanicista cartesiana, que concebia o corpo como recetáculo da alma, a contribuição do antropólogo Marcel Mauss na década de 1930 foi decisiva nas ciências sociais e humanas para se entender o corpo enquanto um mediador de excelência entre conhecimento e experiência, indivíduo e sociedade. Sendo o corpo um veículo de expressão de intencionalidades, fronteiras, hierarquias, exclusões e inclusões sociais, no fundo, de identidades, a performatividade e a corporalidade são instrumentos de poder que tanto servem propósitos de dominação como de oposição.

Se os colonialismos e as colonialidades, e seus legados, são dimensões complexas e contraditórias alicerçadas na subjetividade, torna-se necessário problematizar os debates pós-coloniais que, na esteira de Foucault e Said, se concentram na desconstrução do discurso e da representação. Para tanto, as contribuições teóricas e metodológicas da antropologia contemporânea mostram-se pertinentes na medida em que partem de materiais etnográficos específicos numa visão crítica e comparativa que agrega experiências locais a processos globais. Isto permite inquirir as materialidades dos processos de atribuição de significado, nomeadamente a inscrição nos corpos de formas coloniais de opressão como também os mecanismos que, no plano intersubjetivo do quotidiano e através do corpo, atuam como expressões de poder contra-hegemónico.

Envio de propostas no link do painel 10:

http://www.nomadit.co.uk/apa/apa2013/panels.php5?PanelID=2352

Descolonizar os desejos?

 

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Está aberta a chamada de comunicações para o Congreso de Filosofia Jovem “Horizontes de Compromisso”, a realizar-se em Granada, na Espanha, entre os dias 5-8 de Junho de 2013.

O prazo para a apresentação de propostas e resumos termina a 23 de Fevereiro de 2013 (máximo de 300 palavras, além do contacto e de uma breve biografia).

O Grupo Autónomo de Investigação em Estudos Pós-Coloniais (GAIEPC) coordena a Mesa de Debate #3, do segmento dedicado a PENSAR.

Confira abaixo a íntegra da chamada específica da Mesa de Debate #3 em Espanhol e em Português. Se preferir, carregue o arquivo em pdf.

¿Descolonizar los Deseos?
Lenguas: Español / Portugués
Contacto: gaieposcoloniais@gmail.com

Descripción
La distinción entre naturaleza/cultura fue una narrativa fundadora del pensamiento occidental, en particular a partir de la intensificación de los (des)encuentros con sociedades nooccidentales que la expansión marítima europea y el colonialismo subsecuente potenciaron. La apreciación occidental de la cultura en detrimento de la naturaleza consistía en un instrumento simbólico y político de poder, más concretamente de opresión y legitimización que provocaron divisiones entre personas y conocimientos. Subyacente a esta oposición reside otra -las emociones y la razón/cognición- y que funcionó como una herramienta ideológica y discursiva que implicó procesos de jerarquización y diferenciación social.

Los deseos como parte del vasto universo de las emociones, fueron objeto de una retórica de control específica del discurso hegemónico de la modernidad occidental. El sistema-mundo moderno-colonial ha elaborado estratégicamente prácticas de disciplinamiento de los deseos con el objetivo de mantener “el orden capitalista” bajo formas de dominación/explotación. Desde una perspectiva postcolonial, consideramos que un debate crítico sobre los deseos puede ser pertinente para cuestionar, por una parte, las formas de regulación de los deseos que perpetúan las políticas coloniales, y por otra parte, indagar desde qué deseos colectivos pueden emerger nuevos horizontes de posibilidad, es decir, hasta qué punto los deseos pueden ser emancipatorios. En este sentido, tal y como enuncian Guattari y Rolnik: “propondría[amos] denominar deseo a todas las formas de voluntad de vivir, de crear, de amar; a la voluntad de  inventar otra sociedad, otra percepción del mundo, otros sistemas de valores” (Guattari y Rolnik, 2006:255).

Partiendo de la idea de que los deseos son construcciones culturales y políticas y que constituyen acciones históricamente situadas; sugerimos las siguientes cuestiones: ¿de qué formas se construyen, manipulan, incorporan y vivencian los deseos en cuanto discursos?, ¿es posible indisciplinar los deseos colectivamente? y ¿desde qué deseos colectivos están emergiendo acciones colectivas transformadoras?.

Desde el desafio colectivo que supone para nosotras esta propuesta y desde la diversidad de lugares desde donde hablamos, pretendemos trazar la performatividad de los deseos en los siguientes ámbitos:

· Deseos colectivos y emancipación social
· Imaginarios del Estado-Nación y dispositivos de control del deseo
· Capitalismo, individualización del deseo y cuerpos precarios
· La materialidad del deseo: políticas de desarrollo y consumo
· Representación del deseo en la literatura y artes
· Diferenciación social

“Descolonizar os Desejos?”
Línguas: Espanhol/ Português
Contacto: gaieposcoloniais@gmail.com

Descrição
A distinção entre natureza/cultura foi uma narrativa fundadora do pensamento ocidental, em particular a partir da intensificação dos (des)encontros com sociedades não-ocidentais que a  expansão marítima europeia e o colonialismo subsequente potenciaram. A valorização ocidental da cultura em detrimento da natureza consistiu num instrumento simbólico e político de poder, mais concretamente de opressão e de legitimação, que criou clivagens entre pessoas e conhecimentos. Subjacente a esta oposição reside uma outra – as emoções e a razão/cognição – e que funcionou como uma ferramenta ideológica e discursiva que implicou processos de hierarquização e diferenciação social.

Os desejos, como parte integrante do universo vasto das emoções, foram alvo de uma retórica de controlo específica do discurso hegemónico da modernidade ocidental. O sistema-mundo moderno colonial elaborou estrategicamente práticas disciplinares dos desejos com o objetivo de manter a ‘ordem capitalista’ através de formas reguladoras de dominação/exploração. Numa perspectiva pós-colonial, consideramos que um debate crítico sobre os desejos possa ser pertinente para inquirir, por um lado, sobre formas reguladoras de desejos que perpetuam políticas coloniais e, por outro lado, que tipo de desejos coletivos podem levar a novos horizontes de possibilidade, isto é, até que ponto os desejos podem ser emancipatórios. Nesse sentido, e tal como Guattari e Rolnik enunciam, “[…] proporía [mos] denominar desejo todas as  formas de vontade de viver, de criar, de amar; a vontade de inventar outra sociedade, outra perceção de mundo, outros sistemas de valores” (Guattari e Rolnik, 2006: 255).

Partindo da ideia de que os desejos são construções culturais e políticas e que constituem acções historicamente situadas, pretendemos levantar algumas questões: De que formas se constroem, manipulam, incorporam e vivenciam os desejos enquanto discursos? É possível indisciplinar os desejos coletivamente? A partir de que desejos coletivos estão a emergir ações coletivas transformadoras?

Tendo em conta o desafio coletivo presente nesta proposta, assim como a diversidade de lugares de onde falamos, pretendemos traçar a performatividade dos desejos nos seguintes temas:

· Desejos coletivos e emancipação social
· Imaginários do Estado-Nação e dispositivos de controlo do desejo
· Capitalismo, individualização do desejo e corpos precários
· A materialidade do desejo: políticas de desenvolvimento e consumo
· Representação do desejo nas literaturas e artes
· Diferenciação social