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Descolonizar os desejos?

 

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Está aberta a chamada de comunicações para o Congreso de Filosofia Jovem “Horizontes de Compromisso”, a realizar-se em Granada, na Espanha, entre os dias 5-8 de Junho de 2013.

O prazo para a apresentação de propostas e resumos termina a 23 de Fevereiro de 2013 (máximo de 300 palavras, além do contacto e de uma breve biografia).

O Grupo Autónomo de Investigação em Estudos Pós-Coloniais (GAIEPC) coordena a Mesa de Debate #3, do segmento dedicado a PENSAR.

Confira abaixo a íntegra da chamada específica da Mesa de Debate #3 em Espanhol e em Português. Se preferir, carregue o arquivo em pdf.

¿Descolonizar los Deseos?
Lenguas: Español / Portugués
Contacto: gaieposcoloniais@gmail.com

Descripción
La distinción entre naturaleza/cultura fue una narrativa fundadora del pensamiento occidental, en particular a partir de la intensificación de los (des)encuentros con sociedades nooccidentales que la expansión marítima europea y el colonialismo subsecuente potenciaron. La apreciación occidental de la cultura en detrimento de la naturaleza consistía en un instrumento simbólico y político de poder, más concretamente de opresión y legitimización que provocaron divisiones entre personas y conocimientos. Subyacente a esta oposición reside otra -las emociones y la razón/cognición- y que funcionó como una herramienta ideológica y discursiva que implicó procesos de jerarquización y diferenciación social.

Los deseos como parte del vasto universo de las emociones, fueron objeto de una retórica de control específica del discurso hegemónico de la modernidad occidental. El sistema-mundo moderno-colonial ha elaborado estratégicamente prácticas de disciplinamiento de los deseos con el objetivo de mantener “el orden capitalista” bajo formas de dominación/explotación. Desde una perspectiva postcolonial, consideramos que un debate crítico sobre los deseos puede ser pertinente para cuestionar, por una parte, las formas de regulación de los deseos que perpetúan las políticas coloniales, y por otra parte, indagar desde qué deseos colectivos pueden emerger nuevos horizontes de posibilidad, es decir, hasta qué punto los deseos pueden ser emancipatorios. En este sentido, tal y como enuncian Guattari y Rolnik: “propondría[amos] denominar deseo a todas las formas de voluntad de vivir, de crear, de amar; a la voluntad de  inventar otra sociedad, otra percepción del mundo, otros sistemas de valores” (Guattari y Rolnik, 2006:255).

Partiendo de la idea de que los deseos son construcciones culturales y políticas y que constituyen acciones históricamente situadas; sugerimos las siguientes cuestiones: ¿de qué formas se construyen, manipulan, incorporan y vivencian los deseos en cuanto discursos?, ¿es posible indisciplinar los deseos colectivamente? y ¿desde qué deseos colectivos están emergiendo acciones colectivas transformadoras?.

Desde el desafio colectivo que supone para nosotras esta propuesta y desde la diversidad de lugares desde donde hablamos, pretendemos trazar la performatividad de los deseos en los siguientes ámbitos:

· Deseos colectivos y emancipación social
· Imaginarios del Estado-Nación y dispositivos de control del deseo
· Capitalismo, individualización del deseo y cuerpos precarios
· La materialidad del deseo: políticas de desarrollo y consumo
· Representación del deseo en la literatura y artes
· Diferenciación social

“Descolonizar os Desejos?”
Línguas: Espanhol/ Português
Contacto: gaieposcoloniais@gmail.com

Descrição
A distinção entre natureza/cultura foi uma narrativa fundadora do pensamento ocidental, em particular a partir da intensificação dos (des)encontros com sociedades não-ocidentais que a  expansão marítima europeia e o colonialismo subsequente potenciaram. A valorização ocidental da cultura em detrimento da natureza consistiu num instrumento simbólico e político de poder, mais concretamente de opressão e de legitimação, que criou clivagens entre pessoas e conhecimentos. Subjacente a esta oposição reside uma outra – as emoções e a razão/cognição – e que funcionou como uma ferramenta ideológica e discursiva que implicou processos de hierarquização e diferenciação social.

Os desejos, como parte integrante do universo vasto das emoções, foram alvo de uma retórica de controlo específica do discurso hegemónico da modernidade ocidental. O sistema-mundo moderno colonial elaborou estrategicamente práticas disciplinares dos desejos com o objetivo de manter a ‘ordem capitalista’ através de formas reguladoras de dominação/exploração. Numa perspectiva pós-colonial, consideramos que um debate crítico sobre os desejos possa ser pertinente para inquirir, por um lado, sobre formas reguladoras de desejos que perpetuam políticas coloniais e, por outro lado, que tipo de desejos coletivos podem levar a novos horizontes de possibilidade, isto é, até que ponto os desejos podem ser emancipatórios. Nesse sentido, e tal como Guattari e Rolnik enunciam, “[…] proporía [mos] denominar desejo todas as  formas de vontade de viver, de criar, de amar; a vontade de inventar outra sociedade, outra perceção de mundo, outros sistemas de valores” (Guattari e Rolnik, 2006: 255).

Partindo da ideia de que os desejos são construções culturais e políticas e que constituem acções historicamente situadas, pretendemos levantar algumas questões: De que formas se constroem, manipulam, incorporam e vivenciam os desejos enquanto discursos? É possível indisciplinar os desejos coletivamente? A partir de que desejos coletivos estão a emergir ações coletivas transformadoras?

Tendo em conta o desafio coletivo presente nesta proposta, assim como a diversidade de lugares de onde falamos, pretendemos traçar a performatividade dos desejos nos seguintes temas:

· Desejos coletivos e emancipação social
· Imaginários do Estado-Nação e dispositivos de controlo do desejo
· Capitalismo, individualização do desejo e corpos precários
· A materialidade do desejo: políticas de desenvolvimento e consumo
· Representação do desejo nas literaturas e artes
· Diferenciação social

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